As execuções de nove pessoas em uma única noite em Goiânia podem ter a mesma autoria, suspeita a Polícia Civil de Goiás em inquérito. As vítimas foram assassinadas a tiros em lugares e momentos distintos da cidade, principalmente na região Leste, entre uma sexta-feira, 7 de abril do ano passado, e a madrugada do dia seguinte. A maior parte dos mortos tinha menos de 25 anos. As investigações já comprovam que as origens das balas que mataram seis são armas em comum. Bandidos utilizaram duas motocicletas para cometer os crimes. A relação das mortes com o latrocínio da mulher de um policial militar também é apurada. Se comprovada, essa é a maior chacina que já aconteceu na capital.

A grande quantidade de homicídios em uma única noite chegou a chamar a atenção da imprensa na manhã seguinte, mas o caso acabou esquecido. O fato incomum levou a Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH) a abrir um inquérito específico para apurar a relação entre as execuções, mas essa investigação não foi concluída e nem divulgada, até agora.

Projéteis de arma de fogo retirados dos corpos das vítimas foram comparados entre si em laudos de confronto microbalístico, para saber se tinham a mesma origem. A reportagem teve acesso a trechos desses exames que demonstram, por exemplo, que a bala que matou o jovem Thiago Pereira do Prado, de 19 anos, na porta de casa, na Vila Pedroso, veio da mesma arma que tirou a vida de um suposto morador de rua na Avenida Goiás, Jonathan Pereira Queiroz, de 24, cerca de uma hora depois.

Já um projétil que atingiu Cleberson Alves da Silva, de 23 anos, amigo de Thiago executado ao seu lado na Vila Pedroso, tem a mesma origem de um que matou Moacir Alves de Souza, de 39, na mesma madrugada, também em frente a sua residência, mas no Jardim Nova Esperança. Os locais dessas mortes ficam a cerca de 20 km de distância um do outro. Ao todo, seis homicídios já estão interligados através de confronto microbalístico (veja o quadro).

Em todos os casos os bandidos utilizaram motocicletas para cometer os crimes. Câmeras de monitoramento eletrônico chegaram a flagrar as duas motos dos assassinos na noite das execuções, mas a qualidade das imagens é ruim e ainda não foi possível identificar placa ou autores. Em um dos casos investigados há suspeita que filmagens que captaram o momento do homicídio foram apagadas do aparelho gravador.

No caso do operador de máquinas Walderico Pereira da Silva Júnior, de 25 anos, morto em uma distribuidora ao lado de sua casa no Recanto das Minas Gerais, testemunha conta que dois motociclistas passaram em baixa velocidade pelo local olhando para as pessoas que estavam ali. Alguns minutos depois, uma dessas motos, modelo CB 300, voltou à distribuidora. Armado, o garupa, que usava um capacete rosa, afastou os outros presentes com um tiro no chão, mandou a vítima se deitar e a executou com cerca de dez disparos.

O capacete rosa também foi citado por uma testemunha da morte de Kaio César da Silva Morais, de 18 anos, executado algumas horas antes no Jardim Abaporu, a poucos quarteirões da distribuidora. No entanto, a dinâmica das execuções não foi a mesma sempre, na maior parte dos casos, as vítimas estavam sozinhas.

histórico

Essa pode ser a maior chacina da história de Goiânia. As maiores noticiadas na capital até agora haviam sido as execuções a tiros de seis pessoas em um bar no Residencial Itaipu em 2007 e os assassinatos com machadadas e sufocamento de um casal e quatro crianças em 1957, que ficou conhecido como a chacina da família Matteucci.

O impacto da chacina foi tão grande que refletiu nas estatísticas. O mês de abril, com 54 assassinatos, foi o mais violento da capital em 2017. Isso em um cenário de queda no índice de homicídios, que teve uma média mensal de 36 mortes no ano passado. O último mês mais violento, também com 54 casos, havia sido em janeiro de 2016.

Fonte: Jornal O Popular