Goiânia, Domingo, 22 de janeiro de 2017
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10/01/2017 - Os preferidos dos ladrões

Os veículos mais roubados em Goiânia ainda são os mesmos modelos dos últimos dois anos, apesar de as autoridades da Polícia Civil e da Superintendência de Seguros evitarem nominar quais tipos e marcas são os mais visados. “O ranking é ditado pelo número de marcas e modelos mais vendidos e não é mais por um ou outro que seja mais visado pelos bandidos”, explica o delegado Adriano Sousa Costa (foto), titular da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores.

A delegacia até mantinha uma estatística parecida alguns anos atrás, mas esse conceito mudou em virtude do comportamento dos marginais que atuam nesse tipo de delito e também dos objetivos pelos quais se rouba. E isso influencia decisivamente na conduta dos criminosos que roubam e dos que recebem os veículos. Antes havia um mercado paralelo de peças para reposição e mesmo de veículos que eram trocados por armas e drogas em países fornecedores de entorpecentes, como Bolívia e Paraguai.

Entretanto, o principal volume de veículos roubados hoje se destina à clonagem de número de chassi, placas e documentos para serem utilizados em outros veículos. Muitas vezes esses carros clonados rodam intensamente por dois anos ou mais sem serem importunados e são oriundos de financiamentos não pagos ou foram roubados em outros Estados.

Essa mudança de comportamento teve reflexo até no índice de recuperação dos carros pela Polícia Civil. “Antes conseguíamos recuperar até 40% ou 50% dos veículos roubados em Goiânia, e nos últimos dois anos esse índice chega a 75%, o que é uma marca considerável. Isso se deve principalmente à mudança de postura dos bandidos, o que nos motivou também a mudar a forma de investigar e combater o crime”, diz o titular da DERFFVA, Adriano Sousa Costa (foto).

Os policiais passaram a combater prioritariamente falsificadores de documentos – modalidade que exige muita especialização dos bandidos – e adulteradores de chassis e placas, que são os principais articuladores dessa forma de crime. Para os investigadores ainda persiste o roubo para peças de reposição, mas não é o principal viés da atividade criminosa.

Carros como o Hyundai HB20, um dos preferidos pelos bandidos, permanecem no topo do ranking dos mais roubados também pela deficiência de peças de reposição. A montadora sul-coreana monta os veículos no Brasil, mas tem uma carência muito grande de colocar peças de substituição com fartura e preços justos no mercado. O resultado é que um mercado paralelo de peças realimenta o roubo para desmanche.

A evolução tecnológica dos carros também influenciou na prática dos crimes. Chaves codificadas, sensor de presença e outros dispositivos que dificultam a possibilidade de furto fazem com que os bandidos aguardem os motoristas chegarem ao veículo ou abordarem suas vítimas com os veículos em movimento. Não há mais o puxador de carros, que usa chave falsa ou quebra a tranca para levar o veículo. Agora é no uso da violência e de arma em punho.Fonte: DM online